Igreja São Judas Tadeu | Balneário Camboriú SC

■ Localização | Balneário Camboriú SC
■ Arquidiocese de Florianópolis – Paróquia Nossa Senhora Aparecida
■ Pároco | Padre Luis Rebelatto
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projeto Arquitetônico, luminotécnico e mobiliário | FAUST arquitetura e engenharia

Mausoléu Pe George Jepsen | Aguaí SP

Sepulcro Memorial Padre George Jepsen | Mausoléu Paróquia Bom Jesus.
■ Aguaí SC. Diocese de São João da Boa Vista
■ Pároco Padre Rafael Fabiano
■ Autor Arq Eduardo Faust

A porta
O monumento se materializa como uma torre, partindo de uma soma de arcos que formam uma portada, um local de passagem, uma porta.

Em Apocalipse capítulo 3, versículo 8 vemos: “Conheço as tuas obras: eu pus diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar; porque, apesar de tua fraqueza, guardaste a minha palavra e não renegaste o meu nome.”

Padre José de Anchieta no seu poema: Compaixão da Virgem na Morte do Filho, recita:
Ó caminho real, áurea porta da altura!
Torre de fortaleza, abrigo da alma pura!

Os cinco pilares
No lado esquerdo estruturei o monumento com cinco pilares que elevam-se apontando aos céus, eles são os cinco cravos e simbolizando as cinco chagas do martírio de Cristo.

No mesmo poema Padre José de Anchieta diz:
Sucumbiu teu Jesus transpassado de chagas,
ele, o fulgor, a glória, a luz em que divagas.
Quantas chagas sofreu, doutras tantas te dóis:
era uma só e a mesma a vida de vós dois!

A escada
Ao lado direito cinco arcos escalonados completam a estrutura e desenham a portada. Esta arcada forma uma escada, a escada que liga o céu e a terra, a escada do sonho de Jacó

Gênesis capítulo 28, versículo 12: “(Jacó) teve um sonho: via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor.”

Sob esta torre (que contém a escada e a porta) está o sepulcro, a cripta dos que dedicaram-se ao trabalho de servir ao povo de Deus. O legado deles em propagar a Palavra nos trouxeram até aqui. 

■ A Cruz Pastoral
A obra será edificada em memória ao Padre George Jepsen, e posteriormente a outros três padres, elevando-se a um mausoléu em homenagem aos sacerdotes da Cidade de Aguaí. Uma lembrança de pastores zelosos de seu rebanho.

A Cruz Pastoral é a soma do cajado de pastoreio com o símbolo maior do Cristianismo – a Cruz. Ela expressa a missão do sacerdote – o labor dos que aceitaram o chamado.
Simboliza o legado dos Padres que neste mausoléu jazem.

O sepulcro e o Calvário
Em Mateus capítulo 27 versículo 51 temos: “Eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo a terra tremeu, fenderam-se as rochas.”

Padre Anchieta recita:
Ó morada de paz! sempre viva cisterna
da torrente que jorra até a vida eterna!

No sepulcro a composição assimétrica e o granito marrom simbolizam o calvário e as tumbas rachadas após o tremor de terra, na morte de Jesus no Calvário. Os rasgos representam as cicatrizes deixadas no solo e dela brota a água representada pelo mármore azul que leva até as bases dos pilares do monumento.  

O abalo sísmico gerado pelo sacrifício de Cristo abriu fissuras na terra, a água que escorre destas fendas é a palavra e o sangue, que nutre o solo (nós – humanidade) e faz germinar e crescer as estruturas que elevam-se e desenham: a torre, a porta (do paraíso) e a escada para o céu (sonho de jacó), pavimentando o caminho da salvação. 

Arq Eduardo Faust

Igreja Nossa Senhora de Lourdes | Alphaville Barueri SP

■ Localização | Alphaville, Barueri SP
■ Diocese de Osasco – Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
■ Pároco | Padre Ubirajara Alves de Melo
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projeto Arquitetônico, luminotécnico, mobiliário e esquadrias | FAUST arquitetura e engenharia

A portada simboliza a gruta de Massabielle em Lourdes e se inspiram nas pequenas grutas espalhadas pelo país.

Em uma das aparições NS de Lourdes pede a Santa Bernardette Soubirous para cavar debaixo da rocha e do chão seco como o deserto, brotou água. O povo retornou à gruta em busca da água e milagres começaram a ser alcançados.

A fina faixa de granito azul atravessa a igreja, ligando o Altar (Cristo) de onde brota a “água”, que escorre pelos degraus, cruza a assembleia (povo de Deus) e alcança o pequeno círculo (mina dágua de Bernadette) na porta de entrada.


Iglesia Inmaculado Corazón de Maria | Monterrey NL Mexico

■ Iglesia Inmaculado Corazón de Maria
■ Parroquia de Nuestra Señora del Carmen
■ Arquidiócesis de Monterrey
■ San Nicolás de Los Garza, Monterrey, Nuevo León. Mexico
■ Párroco | Eduardo Zapata
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Proyecto arquitectónico, de iluminación y mobiliario | FAUST Arquitetura

Inspirada en la arquitectura del barroco Novohispano la iglesia hace una reinterpretación moderna de la lengua tradicional mexicana.

Sepulcro Padre Osvaldo | Borrazópolis PR

Sepulcro, túmulo, sepultura, tumba, jazigo. Todos sinônimos que tem a função de lembrança, de memorial.

O monumento Padre Osvaldo Almeida é uma arte tumular contemporânea que se encontra no cemitério de Borrazópolis PR. Foi idealizado e realizado por Vera Lucia Simões e Luana de Almeida e o arquiteto Eduardo Faust foi responsável pelo criação.

“A morte nos dá acesso ao reino do espírito ela é a porta da vida. É a mudança de morada. O reino de Deus só dará frutos através da morte pessoal de cada um. A morte não é o fim, mas o lugar verdadeiro do nascimento da criação.”

A morte física é a extinção da vida, da existência, do tempo. Ela não se opõe a vida, mas ao nascimento. Por isso cada pessoa é chamada a viver sua própria morte. E como diz na segunda epístola de timóteo 2,11 “se com cristo morre, com ele viverá.”

Cristo assumindo a condição humana, realiza o plano salvífico de Deus, submetendo-se à morte para reconciliar toda humanidade. David Turoldo diz: Morrer é sentir quão forte é o abraço de Deus. 1Cor 3,22 O mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.

A Ouroboros – Simboliza ciclo infinito – O ser autofágico simboliza a comunidade que se alimenta (aprende) de seu próprio corpo (legado de cada indivíduo). A eterna consequência dos atos de cada Cristão.

A Salvação

O desenho circular no piso está inscrito no quadrado do formato total do jazigo. No interior deste círculo está o sepulcro, o local de quem já conheceu a salvação; fora dele estamos nós, aguardando nosso momento de experimentar esta passagem. O circulo foi desenhado de forma a simbolizar a ouroborus: a comunidade que se alimenta do legado do que ali descansa.

Importante entender um pouco da simbologia do número 7
7 dons do espírito santo
7 palavras de cristo na cruz
7 virtudes celestiais
7 pecados capitais
7 dores de nossa senhora
7 alegrias de nossa senhora

A morte tem uma estrutura trinitária: morrer só tem sentido se é um morrer em Cristo , em seu Espírito, para a comunhão com DeusPAI – FILHO – ESPÍRITO SANTO.

Pai e Filho

O número 3 simbolizando o Céu e o número 4 simbolizando o terreno.
A soma do Céu com a terra | 3 + 4 = 7

Os 7 monólitos fincados na terra apontam o céu (Pai). A Cruz em suas pontas evidenciam o momento em que o divino veio nos visitar. Cristo, o Filho que se fez carne e habitou entre nós.

Espírito Santo
O sepulcro foi desenhado na forma de uma pomba, tradicional símbolo da vinda do espírito santo, do pentecostes.

“Quem vive e crê em mim jamais morrerá” Jo 11,25

Eduardo Faust

______________________________

FICHA TÉCNICA
Realizadoras: Vera Lúcia Simões e Luana de Almeida
Autor arquitetura e simbologia: Arq Eduardo Faust
Execução e projeto estrutural: Alex Bosso, Antonio Garcia, Mario Fukuda, Oseias de Souza Criação e execução do Mosaico do rosto do Padre Osvaldo: Milscky Arte e Mosaicos

Igreja Santa Clara de Assis | Ubatuba SP

Igreja Santa Clara de Assis. Arq Eduardo Faust

Distando cerca de 178 km da capital, a diocese de Caraguatatuba situa-se no litoral norte do estado de São Paulo, pertencendo à Mesorregião do Vale do Paraíba, sob a administração do Bispo Dom José Carlos Chacorowski. Dentro da diocese a paróquia Exaltação da Santa Cruz na cidade de Ubatuba inicia sua história no século XVIII com sua matriz construída ao longo do século XIX.

A partir de 1954 a Ordem dos Franciscanos Menores Conventuais passa a administrar a paróquia que hoje conta com 5 comunidades. No bairro Sesmaria está uma destas comunidades denominada Igreja Santa Clara.

A irmã Santa Clara de Assis (Chiara D’Offreducci), nascida em 1194, em Assis, Itália, foi uma discipula direta de São Francisco de Assis. Cononizada em 1253 sendo o lado feminino dos Franciscanos ela fundou a Ordem Franciscana Clarista (Ordo sanctae Clarae OSC).

Pároco Frei Wilmar Villalba e a comunidade Santa Clara de Assis.

O bairro Sesmaria em Ubatuba é uma localidade com uma população atualmente de baixo poder aquisitivo, entendendo a economia local, os moradores logo na primeira reunião já haviam previamente feito uma pesquisa e decidido por votação, que a técnica construtiva mais viável para sua igreja é a estrutura de eucalipto roliço.

No interior do estado de Santa Catarina e Paraná na região de colonização Ucraniana e Polonesa encontra-se um acervo de arquitetura sacra feita em madeira, com destaque as Igrejas de Mallet PR e Itaiópolis SC. Porém nenhuma delas é construída com estrutura de madeira roliça.

Particularmente eu já havia pesquisado muito a técnica construtiva em madeira roliça e projetado um portal de entrada em navegantes SC e uma casa que não foi executada, mas uma igreja nunca. Fui pesquisar a respeito algumas igrejas pelo mundo e encontrei somente de bambu que possui outra forma de pensar a estrutura. Logo, mesmo sendo uma técnica bastante comum no Brasil e com um ótimo custo benefício, em Igrejas é pouco utilizada.

Meu conceito básico para linguagem sacra é respeitar os 17 séculos de cultura arquitetônica católica. Entendendo que o românico ou o renascimento são tão contemporâneos quanto o modernismo ou o art déco. A ideia é dar continuidade aos padrões instituídos pela arquitetura sacra.

Dito isto temos uma técnica construtiva pouco usual nesta tradição sacra católica, logo minha ideia foi aproximar esta técnica ao formato mais utilizado ao longo da história – o formato de basílica de pequeno porte.  

Esquema Basílica. Arq Eduardo Faust
Arcada e deambulatório da Basílica de Saint Denis. Foto Arq Eduardo Faust

Resumi para esta Igreja uma planta com: nave central; duas naves laterais; o presbitério – que está inserido na abside – em torno dele, um deambulatório que nos leva as capelas de Nossa Senhora e de Santa clara, que emolduram a capela central do Santíssimo.

O presbitério ao centro com os bancos fixos nos remete ao presbitério monolítico paleocristão com banco para concelebrantes contínuo como extensão da sédia.  

Presbitério da Basílica de São Vital em Ravenna Itália. Foto Arq Eduardo Faust

O esquema estrutural da Igreja também é uma releitura do tradicional esquema das basílicas de pequeno porte com naves laterais e uma nave central com pé direito mais alto, separadas por uma arcada e sobre esta arcada um clerestório.

Esquema Basilica. Arq Eduardo Faust

Igreja Santa Sabina 432. Roma Itália. Foto Arq Eduardo Faust
Esquema estrutural das madeiras roliças. Arq Eduardo Faust

No clima tropical litorânea a maior parte dos dias é quente e os ventos são abundantes. Isto faz com que a ventilação cruzada seja a alternativa indicada, incluso deve-se aproveitar o vento fresco durante as chuvas.

Neste caso pensei o clerestório para a além da sua função de entrada de luz, aqui ele está a serviço da ventilação cruzada. O beiral o protege das chuvas e do sol, para que a janela (clerestório) possa estar sempre aberta auxiliando o escape do vento quente gerado no interior da igreja.

Mesmo caso acontece com o nartéx que se estendendo pelas laterais da igreja cobre as aberturas protegendo-as das intemperes. Na fachada frontal o nártex auxilia que o sacerdote possa fazer a acolhida protegido do forte sol.

Outro elemento das Basílicas é a semicúpula sobre a abside, neste caso criei um delicado ripado que aproveita a estrutura curva do telhado, evidenciando a volumetria da semicúpula ogival.

Numa tentativa de invasão da cidade de Assis por bárbaros, irmãs correram até a Irmã Clara que estava acamada doente. Ela buscou o cibório de marfim que continha a sagrada eucaristia e o conduziu até a porta do pátio central, após fazer pedidos ao Senhor pareceu-lhe ouvir uma voz: – Eu sempre as guardarei e defenderei! Aqueles homens que não recuavam nem diante de batalhões, empurram-se e fogem.

Acima o trecho que resumi do livro Santa Clara de Assis de Hugo Baggio, esta passagem da origem ao ícone de Santa Clara erguendo um ostensório com uma de suas mãos.

Na fachada a cruz central tem o formato de um ostensório fazendo referência a este milagre de Santa Clara. Esta cruz com outras duas, somam as 3 cruzes, que simbolizam os 3 conselhos evangélicos franciscanos: Pobreza; Obediência; Castidade.

O jovem Francisco numa crise espiritual, entra na igrejinha de São Damião, onde se prostra, diante do Crucifixo. A imagem de Cristo lhe fala: “Francisco, vai e repara minha casa que está em ruína”.

Em seus milagres São Francisco fazia o sinal do Tau sobre os ferimentos. “Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas” cf.LM4,9;2,9;3Cel3

Mobiliário litúrgico foi desenvolvido sobre o desenho da letra grega Tau.

Fontes de pesquisa:

Província Franciscana Imaculada Conceição do Brasil. Site franciscanos.org

BAGGIO, Hugo D. Santa Clara de Assis

ZANGIÁCOMO, A.L. Estudo de elementos estruturais roliços de madeira. 2007. 140 p. Tese (Doutorado em Engenharia de Estruturas) -Universidade de São Paulo, São Carlos, 2007

RANTA-MAUNUS, A. Round small-diameter timber for construction:final report of project FAIR CT 95-0091. Espoo: Technical Research Centre of Finland, 1999. 210 p. Disponível em: http://www.vtt.fi/inf/pdf/publications/1999/P383.pdf

COOK, J. Explorations of roundwood technology:RMRS-P-22. Disponível em: http://www.fs.fed.us/rm/pubs/rmrs_p022/rmrs_p022_166_170.pdf

Arq Eduardo FAUST

Igreja São Judas Tadeu | Balneário Camboriú SC

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Praça Brasil | Nova Andradina MS

“Quando concebi a praça Brasil vi a necessidade de projetar: quiosques; espaço para shows e feiras; pequenos setores de estar; monumentos que contam a história do município. Com tudo isso meu único objetivo era que ela ganhasse vida, que a população tomasse posse do seu patrimônio, em contraste a situação da época. E que isso fosse feito de forma bela, unindo lazer e cultura.

Após anos de obras ela ficou pronta, e foi emocionante sentar num de seus bancos e admirar a praça viva: crianças jogando bola, andando de bicicleta, jovens e adolescentes confraternizando, famílias formando pequenas “salas de estar” em seus espaços.

Traços na página em branco conceberam algo que estava construído somente em minha mente. A cidade deu materialidade a estes traços, e hoje aquilo que constava somente em meus sonhos pertence a toda comunidade de Nova Andradina.

Obrigado Nova Andradina.
Arq Eduardo Faust”

_______________________________
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia,
■ Projeto Estrutural | Eng Conrado Faust

Fundado em 1958 o município de Nova Andradina faz parte do vale do rio Ivinhema na porção sudeste do estado do Mato Grosso do Sul, recebe o nome de seu fundador Antônio Soares de Moraes Andrade.

O povo indígena Ofayé habitava a região antes da presença pecuarista vinda principalmente do estado de São Paulo no início do século XX. Os Ofaié eram milhares e habitavam a margem direita do rio Paraná, desde a foz do Sucuriú até as nascentes do Vacaria e Ivinhema. Sempre em pequenos grupos, viviam em constantes deslocamentos ao longo dessa região, em 2014 segundo Siasi/Sesai restam 69 Ofayés principalmente na aldeia da cidade de Brasilândia.

O traçado da cidade segue o clássico romano estruturado em duas avenidas principais: o cardo maximus (Av Antônio Andrade) e o decumanus maximus (Av Eurico Andrade), no encontro dos dois eixos está a Praça Brasil.

Única premissa solicitada pelo prefeito e da secretaria de obras foi que os monumentos cristãos católicos deveriam ficar na praça do terreno do Santuário.

Apesar da praça pertencer ao município ela tem uma ligação histórica com o Igreja Imaculado Coração de Maria, hoje Santuário Diocesano de Naviraí. Antes de projetar a praça fiquei responsável pelo projeto da igreja recém elevada a santuário diocesano.

Com isso o desenho partiu da hierarquia da torre e o alinhamento da centralidade do santuário. O conceito da praça fiz uma busca na história do município que dividi em três partes:

01 – Antes da civilização – Monumento Pantanal
02 – Primeiros habitantes – Monumento Povo Ofayé.
03 – Fundação da cidade moderna – Monumento Praça Brasil

Alinhado com Torre do Santuário criei dois pórticos simétricos que organizam um espaço livre pavimentado para eventos e feiras, o desenho de piso baseado em uma folha de árvore simboliza a flora pantaneira. As linhas dos pórticos fazem menção as asas do Tuiuiu (ave ícone do pantanal) simbolizando a fauna pantaneira. Criei o monumento pantanal ao centro como elemento principal da praça, um novo ícone símbolo da cidade.

No restante da praça minha ideia foi criar pequenos espaços de estar, com isso o desenho de piso está divido em faixas que organizam estes espaços com bancos e canteiros verdes.

O monumento ao povo Ofayé parte de um pórtico (arco abatido) com um pilar central, seu desenho nos remete aos costumes de coleta e caça deste povo simbolizados pelo o arco e pela flecha. Para simbolizar a linha do tempo da ocupação humana coloquei em linha os 3 monumentos: o monumento Povo Ofayé (primeiros habitantes), o monumento Brasil (fundação da cidade) e a já existente obelisco da rotatória que marca centro da cidade moderna.

O obelisco faz fundo ao monumento Brasil, sua composição faz menção a bandeira Brasileira, um espelho d’água ao centro é limitado por 27 totens que simbolizam os 26 estados e o distrito federal.
O busto antigo de Antônio Joaquim de Moura Andrade, foi relocado para o centro do espelho d’água.

Outro conceito básico para o uso, e manutenção da praça foi a criação de seis quiosques e banheiros públicos, estruturando o espaço a vida urbana foi intensificada.

Alguns números sobre a obra: 2960,00 m2 de área gramada, 3592,00 m2 de passeios e áreas de lazer de blocos de concreto e cimento aplainado, 1570,00 m2 do pavilhão central de blocos de concreto. Três edificações que somam 260,00 m2, nelas abrigados 6 quiosques e dois sanitários públicos.
Vagas ao longo das extremidades da praça, sendo uma destinada para ônibus de turismo somam 900,00 m2.

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Sepulcro Padre Osvaldo | Borrazópolis PR

Sepulcro, túmulo, sepultura, tumba, jazigo. Todos sinônimos que tem a função de lembrança, de memorial. O monumento Padre Osvaldo Almeida é uma arte tumular contemporânea que se encontra no cemitério de Borrazópolis PR. Foi idealizado e realizado por Vera Lucia Simões e Luana de Almeida e o arquiteto Eduardo Faust foi responsável pelo criação. “A … Continue Lendo “Sepulcro Padre Osvaldo | Borrazópolis PR”

Igreja Santo Antônio | Belo Horizonte MG

■ Localização | Venda Nova – Belo Horizonte MG■ Arquidiocese de Belo Horizonte – Paróquia Santo Antônio■ Pároco | José Alves de Deus [Padre Zezinho] e Pe Célio Diniz■ Autor | Arq Eduardo Faust■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia

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Igreja Santo Antônio | Belo Horizonte MG

■ Localização | Venda Nova – Belo Horizonte MG
■ Arquidiocese de Belo Horizonte – Paróquia Santo Antônio
■ Pároco | José Alves de Deus [Padre Zezinho] e Pe Célio Diniz
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia

Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Pe Zezinho e Pe Célio.
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Igreja Profeta Elias | Curitiba PR

■ Localização | Curitiba PR■ Arquidiocese de Curitiba – Paróquia Profeta Elias■ Pároco | Frei Edmilson Carvalho Ocarm■ Autor | Arq Eduardo Faust■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia A igreja foi desenhada respeitando o terreno de esquina, dando ênfase a torre localizada no vértice agudo iniciando um eixo simétrico que liga a torre ao … Continue Lendo “Igreja Profeta Elias | Curitiba PR”

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Igreja Menino Jesus de Praga | Presidente Prudente SP

■ Localização | Presidente Prudente – São Paulo
■ Diocese de Presidente Prudente – Paróquia Menino Jesus de Praga
■ Pároco | Sanderson Vergara
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia

Presidida pelo bispo da Diocese de Presidente Prudente, Dom Benedito, aconteceu dia 14/11/2018 a missa de dedicação da Igreja Menino Jesus de Praga em Presidente Prudente SP. Além do grande realizador da obra Padre Sanderson Vergara, também estavam presentes Padre Anderson Félix, Padre Paulo Valeriano, Padre Eduardo Biral, Padre Thiago, Padre Edcarlos, Padre Sandro Rogério, Padre Paulinho César, padre Armando Nochetti e demais membros da Diocese.

Igreja Profeta Elias | Curitiba PR

■ Localização | Curitiba PR
■ Arquidiocese de Curitiba – Paróquia Profeta Elias
■ Pároco | Frei Edmilson Carvalho Ocarm
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia

Redemoinho que leva Elias – o manto que cai – o murmúrio de uma brisa ligeira.

A igreja foi desenhada respeitando o terreno de esquina, dando ênfase a torre localizada no vértice agudo iniciando um eixo simétrico que liga a torre ao altar. O uso de materiais brutos como o concreto aparente e a madeira, dão identidade a edificação e nos remete a caverna de Elias – “murmúrio de uma brisa ligeira“.

A expansão da área interna foi um desafio pois não poderíamos perder o desenho simétrico da edificação, para aproveitar ao máximo o espaço as sacristias, os lavabos e outras salas foram deslocadas para uma construção anexa.

Em formato de semicírculo [com o altar e cruz no ponto central] a assembleia foi desenhada colocando os fiéis em torno da mesa da eucaristia para o grande banquete pascal. Nela foi calculada uma iluminação indireta, amarela, que somado aos materiais naturais busca aconchego e silêncio, convidando a oração quem adentra a Igreja.

Seguindo instruções do Concílio Vaticano II e a linguagem brutalista do edifício o mobiliário litúrgico foi desenvolvido em pedra, este mármore natural mostra a sua verdade estética e a Verdade que as peças sagradas devem nos inspirar.

O peso da pedra nos remete ao peso da Palavra em nossas vidas. Em contraste ao peso da pedra as linhas são delicadas, leves e tem relações com alguns números simbólicos que fazem parte da história da arte sacra.

No altar o tampo é sustentado por um elemento central e outros seis somando sete peças – 7 o número da perfeição. Suas linhas enfatizam o formato de mesa do altar do sacrífico.

Seguindo o mesmo conceito a parte superior que sustenta o evangeliário é estruturado por quatro peças – os 4 evangelistas e a pia batismal segue a tradição do formato octogonal – 8 do oitavo dia.

As imagens de NS do Carmo, Profeta Elias e São Tiago Maior assim como o mobiliário litúrgico estão envoltos por estruturas leves e elegantes de formato livre simbolizando: o redemoinho que leva Elias; o manto que cai e o murmúrio de uma brisa ligeira.

A leveza da estrutura é enfatizada pelo contraste do branco liso em relação os blocos brutos de concreto e a madeira crua da cobertura.

Estas estruturas têm forma livre, porém todas seguem o caminho para a cruz. Simbolizando os distintos caminhos que cada cristão toma para o encontro com A Salvação.

Igreja Santa Teresinha | Timbo SC

■ Localização | Timbó – Santa Catarina
■ Diocese de Blumenau – Paróquia Santa Teresinha
■ Pároco | Carlos Humberto Carneiro de Camargo
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia

Antes da nova obra a Igreja possuía uma composição simples de um volume principal que continha a igreja como um todo e um pequeno anexo aos fundos aonde era a sacristia. Foi aberta a parede aos fundos englobando a área de fundos e a ampliando. Sendo assim aproveitamos a diferença de altura do pé direito para criar a capela do santíssimo, a capela da relíquia e Santa Teresinha, duas sacristias e o espaço do presbitério antes subdimensionado foi duplicado.

Esta abertura foi feita de forma a criar linhas em relevo revestidas com pedra que deram ênfase a centralidade do altar e a bela imagem de Cristo [já existente datada de 1969] fixada numa nova cruz. Dois pilares laterais foram revestidos de tijolo maciço limitando o espaço das capelas abertas para a assembleia e para o presbitério. As capelas foram iluminadas de forma tênue e revestidas de madeira tornando-as adequadas a oração individual.

A torre de concreto armado tem o desenho similar ao presbitério, utilizando-se pedras quartizito nas linhas que apontam para a grande cruz de aço cortem que brota do solo até alcançar o ponto mais alto da edificação.

No interior da torre está o batistério que se comunica com o átrio que é acessado pelas portas pivotantes de madeira desenhas especialmente para a obra. Compondo com a torre foram criados anexos com salas do plantão do dízimo, sacristia e paramentos.

Ainda na área externa aproveitou-se a localização da torre para expandir o estacionamento e criar acessos e jardins.

O projeto luninotécnico internamente auxilia a liturgia e enfatiza a beleza do conjunto e externamente a torre não só durante o dia ganha um local de destaque na paisagem urbana da cidade de Timbó.

Igreja Matriz São Miguel | Maringá PR

■ Localização | Maringá PR  
■ Diocese de Maringá – Paróquia São Miguel Arcanjo 
■ Pároco | Padre Onildo Gorla  
■ Autor | Arq Eduardo Faust  
■ Projetos | FAUST arquitetura e engenharia  
■ Equipe | Arq Egvar; Arq Gustavo; Arq Renato 

No primeiro milênio da Igreja não tínhamos bancos, os fiéis celebravam de pé em torno do altar. A distribuição desta assembleia em círculo com o altar em seu centro é um convite para que todos desfrutem do grande banquete pascal. Neste espaço o altar ao centro e assembleia em semicírculo  busca estas referencias. 

O ambão elevado um degrau acima retoma o ambão antigo que não se trata somente de uma mesa, mas de um espaço. Assim como a própria palavra Ambão vem do grego anabaino, que significa elevar-se, o processo de elevar-se para proclamar a palavra de Deus. 

A tríade litúrgica básica se completa com a sédia, que foi desenhada com os mesmos traços e materiais do altar e do ambão.

Madeira, quartzito, granito, mármore, bloco cerâmico. Os materiais brutos com sua beleza desnudada, são belos em sua natureza em sua verdade, assim como os nossa fé cristã, temos uma verdade que é bela por si só.

Nos documentos do concilio vaticano II é constante a indicação de que o presbitério deva ser cristocêntrico. Para isto criamos esta arcada ao fundo, que liga as laterais da Igreja e cria um ponto focal ao centro – ao altar – a cruz.

Composta de arcos ogivais a arcada foi desenhada simbolizando nosso padroeiro São Miguel. Os cincos arcos formam quatro lanças. No livro do apocalipseo arcanjo Mikael (São Miguel) derrota satã com seu exército. Na arte sacra o principal símbolo de São Miguel são as asas e a espada (ou a lança) muitas vezes também compõe a balança e satã sendo subjugado.

Arcanjo Miguel utilizou sua lança para derrotar o mal, a arcada foi desenhada com 4 lanças – que simbolizam os 4 evangelistas e os 4 evangelhos forjam a arma do cristão para superar os piores momentos.

Igreja Matriz São Pedro | Sorriso MT

■ Localização | Sorriso MT  
■ Diocese de Sinop – Paróquia São Pedro  
■ Pároco | Padre Valdir Koch  
■ Autor | Arq Eduardo Faust  
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia  
■ Equipe | Arq Egvar; Arq Gustavo; Arq Renato 

A cidade de Sorriso é chamada de capital do agronegócio e a maior produtora de soja do mundo, em meras três décadas, ele deixou de ser uma vila para tornar-se uma cidade de oitenta mil habitantes, este crescimento fez rapidamente o edifício da Igreja matriz [construída de forma provisória] tornar-se pequeno e inadequado aos novos padrões da cidade.   

O projeto da nova Igreja conta com a Igreja matriz São Pedro e uma Igreja secundária [Igreja Santa Teresinha]  estão no mesmo espaço, somando 3400,00m2.   

■ O edifício, espaços e invólucro.  

 A arquitetura é uma releitura do gótico e do românico tardio. Podemos ver estas características nos seguintes pontos:    

Colunatas com arcos de plena cintra dando ritmo a toda edificação;  

Edifício em formato cruciforme. Podemos ver o formato da cruz [interna e externamente] porém resolvi a estrutura de forma diferente das antigas Igrejas de pedra, mais leve e sem pilares ao centro, fazendo uso do sistema construtivo atual.   

Fachada com dois campanários e nave central com rosácea. Nesta fachada fiz uma mescla compositiva entre desenho contemporâneo e a simplicidade do românico.  

Basílica de Santa Maria Assunta. Aquileia, Itália.

Simbologia da Rosácea: “Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.” Lucas 1:78,79 

As Igrejas do românico tardio e do gótico possuem belas fachadas de fundos, utilizei estas composições como base para a entrada da Igreja menor que seria “os fundos” da Igreja Matriz.  

Catedral de Speyer, Alemanha

Uso de abside com cúpula e colunata, são elementos que acompanham os edifícios católicos desde o século IV. Além da tradição, adotei este elemento para dar ênfase a capela do santíssimo e emoldurar o presbitério, além de fazer a transição do volume da Igreja matriz para a igreja menor. 

Santa Maria de la Moreruela. Zamora, Espanha.

■ As chaves 

“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus” Mateus 16:19 
Vemos em e pontos as chaves de São Pedro:  

 Na fachada escrevendo na paisagem urbana que ali se situa um edifício religioso, religião do latim religare, ligar o homem a Deus – “(…)tudo o que ligares na terra será ligado nos céus.”  

Igreja Nossa Senhora Aparecida Moema | São Paulo SP

■ Localização | Moema – São Paulo SP
■ Arquidiocese de São Paulo – Paróquia Nossa Senhora Aparecida
■ Pároco | Padre Ederaldo Macedo de Oliveira
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia

Video 01 | Inauguração da primeira etapa da Igreja.
A imagem da padroeira foi adquirida na cidade de Aparecida por uma fiel para a Igreja de Santa Cecília em 1928. Anos depois participou da famosa procissão de 08 de setembro de 1932 e desde então encontra-se no retábulo do presbitério.
A Igreja é primeira Igreja dedicada a NS Aparecida depois do santuário.
A iconografia presente nos vitrais possui uma rica simbologia e uma bela arte.
24 vitrais da cúpula ilustram ladainha de Nossa Senhora
12 vitrais da abside ilustram a história de Maria
8 vitrais das naves laterais ilustram grandes santuários marianos brasileiros.
14 vitrais da nave central ilustram santos e padres devotos de Maria
4 vitrais em composição trípticas no transepto ilustram: NS Assunção, NS Desterro, NS Fátima e o Divino Salvador.

Video 02 | VIdeoclipe da Banda Angra com participação da Cantora Sandy. Filmado na Igreja Matriz de Moema após a primeira etapa da reforma.

Lâmpada do Santíssimo | Orbe Sagrado Coração

LS02 Lâmpada do Santíssimo | Orbe, Sagrado Coração.
Autor Arq Eduardo Faust
Execução e venda Marconato Arte Sacra.

O Sagrado Coração do Cristo Rei.

“Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado” Lc 23, 42.
Orbe nas artes simboliza a realeza – O Cristo Rei.

Dentro da esfera interna (Orbe) a Luz que indica a presença permanente do corpo de Cristo no interior do tabernáculo.

O conjunto compõe a humanidade de Cristo – O Sagrado Coração de Jesus.
“Nunca pude separar a devoção ao Coração de Jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento; e nunca serei capaz de explicar como e quanto o Sagrado Coração de Jesus se dignou favorecer- me no Santíssimo Sacramento da Eucaristia”
.
Maria do Divino Coração

Igreja Santa Teresinha | Curitiba PR

■ Localização | Curitiba PR
■ Diocese de Curitiba – Paróquia Profeta Elias
■ Pároco | Frei Edmilson Carvalho
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura e engenharia
■ Equipe | Arq Egvar; Arq Gustavo; Arq Renato

Fui contrato para finalizar a obra da Igreja Santa Teresinha na paróquia Profeta Elias no bairro Sítio Cercado em Curitiba, Paraná. 

A obra foi edificada em estrutura pré moldada de concreto armado, tal técnica construtiva possui um ótimo custo benefício porém para que isto aconteça existe limitações ao espaço e forma da edificação.

O sistema pré moldado de concreto é voltado a galpões industriais, centros atacadistas e construções de uso similar. Ao aplicar tal técnica e ao final chamar um arquiteto para transformar este espaço em uma Igreja trouxe um grande desafio.

Não é novidade. Grande parte das Igrejas construídas a partir dos anos 80 são galpões pré moldados, eu particularmente me tornei um especialista em repensar estas edificações para que tornem-se espaços de oração, dando a impressão de que nunca assemelharam-se com galpões industriais.

A Igreja Santa Teresinha é um exemplo muito bem sucedido, Pois com um orçamento baixo criou-se um espaço novo sem demolir nada, somente acrescentando. São aqueles momentos em que o custo do projeto vale cada centavo.

Igreja São Domingos e NS do Carmo | Navegantes SC

■ Localização | Rua José Francisco Laurindo, São Domingos. Navegantes SC
■ Diocese de Blumenau|Paróquia São Domingos e NS do Carmo
■ Pároco | Frei Flávio Barbosa OCarm
■ Autor [Arquitetura, Iluminação, Mobiliário/Artesanato Litúrgico] | Arq Eduardo Faust
■ Projeto arquitetônico, luminotécnico, Mobiliário/Artesanato Litúrgico | FAUST arquitetura & engenharia (Equipe | Arq Gustavo; Arq Renato; Arq Wiliam
■ Autor Pintura [Ícone] | Antônio Batista
■ Projeto e execução estrutura metálica | TM Signs

Uma bela São Domingos

Texto | Arquiteto Eduardo Faust e Jornalista Nane Pereira Publicado no Jornal da Diocese de Blumenau 
Guiada pelos conceitos e símbolos da liturgia católica, a obra mostra que é possível manter a tradição da Igreja com a arquitetura do século XXI

Com referência na rica história da arquitetura de igrejas, atualizado para as técnicas construtivas e para a linguagem da arquitetura contemporânea, respeitando o Concílio Vaticano II, a reforma da Igreja Matriz São Domingos de Gusmão, no bairro São Domingos, em Navegantes, Santa Catarina, mostra que é possível manter a tradição da Igreja com a arquitetura do século XXI. Depois de um ano de muito trabalho e dedicação, a comunidade recebeu a nova Matriz São Domingos no dia 5 de novembro de 2014.

O responsável pelos projetos arquitetônico, mobiliário litúrgico, artesanato litúrgico e projeto luminotécnico, é o arquiteto Eduardo Faust , especialista em Espaço Celebrativo Litúrgico e Arte-sacra. “Na edificação em si, basicamente se manteve a estrutura, algumas paredes e a cobertura. No interior foi mantido o ícone pintado aos fundos, os patamares do presbitério e os bancos. Foram criados batistério, capela do santíssimo, mezaninos, iluminação, forro, altar, espaço para os padroeiros, capela da reconciliação, escadas, torre, fachadas, coberturas, portas, janelas, revestimentos de parede e piso”, declara.

Faust diz que no presbitério foram criados volumes vazados de madeira que, além de enfatizar as imagens dos padroeiros, emoldura o Pantocrator e o presbitério como um todo, evidenciando a centralidade do Altar. “Com esta configuração temos: altar no ponto foco de uma assembleia semicircular; ambão à direita; sédia alinhada com o altar. Aos fundos o ícone do Cristo Pantocrator é emoldurado pelas imagens de São Domingos de Gusmão e da Nossa Senhora do Carmo. A mesma estrutura que apoia as imagens se projeta ao longo da assembleia conduzindo o presbitério até a nova porta central, antes localizada na lateral”, explica o arquiteto.

As áreas cobertas externas foram incorporadas ao interior, gerando a capela do santíssimo e o batistério. Conforme Faust, ambas são marcadas por pilares com desenhos inspirados nas árvores do paraíso: Árvore o conhecimento do bem e do mal, brota das águas da pia batismal em formato octogonal (oitavo dia). “Quando o cristão é batizado ele nasce em Cristo, que em sua ressurreição (oitavo dia) resgata Adão dos seus pecados (conhecimento do bem e do mal). A árvore da vida está simbolizada simetricamente no lado oposto da nave, junto à Capela do Santíssimo”, complementa.  

Já na parte externa, Faust diz que a obra tem como inspiração exemplares da Igreja Paleocristã, de formas arredondadas, destacando externamente a volumetria da nave central, da capela do santíssimo, do batistério e da capela da reconciliação. “O maior destaque fica pela torre, simbolizando a “Ascensão de Cristo”, a grande Cruz está fincada ao solo simbolizando a passagem de Jesus (o homem) na terra e paredes circulares recortadas nos levam ao alto, encontrando o topo da Cruz simbolizando Jesus, o Cristo (o Deus)”, afirma.

Igreja Santa Cruz | São José SC

■ INTRODUÇÃO – ESPAÇO E LITURGIA:
No primeiro milênio da história da Igreja Católica, as missas eram feitas com todos de pé ao redor da mesa da eucaristia, nela todos comungavam. A mesa da palavra encontrava-se próxima, onde o presbítero erguia-se para proclamar a palavra; sua cadeira da presidência estava de forma sóbria e simples formando esta tríade.

Os elementos fundamentais para celebração eram expostos de forma singela e com extrema beleza, a Igreja como edifício, era erguida com a função de abrigar-los; o centro da liturgia era facilmente identificado, assim como a verdade da palavra de Cristo.

Com o passar dos anos, os interiores das igrejas perderam o foco, tornaram-se espaços de adoração a santos, de pinturas virtuosas e de demonstração de status. Já não é fácil vislumbrar o centro [Cristo], isso faz com que haja uma busca de significado e valorização excessiva de elementos menores.

A reforma litúrgica do século XIX iniciou as mudanças que culminaram, na década de 60, no sacrosanctum concilio, Concílio Ecumênico Vaticano II, que em sua essência, busca o retorno as origens do culto católico, estruturado pela igual dignidade de todos fiéis.

No Brasil, em especial, o concílio possui uma revolução maior no modo de celebrar e organizar os espaços. A última grande reforma litúrgica da Igreja foi em 1563, no Concílio de Trento.

Logo, até 1964, o Brasil viveu somente uma liturgia, e o Concílio Vaticano II, é a primeira grande mudança que vivenciada desde a implantação do cristianismo no Brasil.

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■ SOBRE O NOVO INTERIOR DO EDIFÍCIO:
Pela luz que se faz no interior do corte na parede de fundos, vislumbra-se o símbolo maior da fé cristã, de forma simples e bela, símbolo que intitula a paróquia. A Santa Cruz.

A liturgia estrutura-se em três bases: Altar [mesa da eucaristia], Ambão [mesa da palavra], Sedia [Cadeira da presidência]. Estes 3 elementos foram desenhados com materiais e linhas semelhantes para revelar conceitos de; “simplicidade formal sem pobreza de composição” e de “beleza sem ostentação”.

O material utilizado ilustra o conceito de Verdade e solides. A Igreja católica tem Cristo como a única absoluta verdade. Sendo assim, o granito maciço e de acabamento bruto [levigado] foi o material empregado nas peças; mostrado aqui de forma crua e verdadeira.

O altar é o centro da Liturgia, ele no projeto ganha o destaque que as celebrações pedem. Seu desenho possui linhas elegantes, estruturadas na proporção áurea; alcançando na simplicidade a beleza; nos remetendo ao cenáculo; à mesa da santa ceia.

A palavra Ambão vem de do grego Anabaino que significa “subir, elevar-se”, a Palavra que vem do reino dos céus. As linhas verticais e a forma que apontam para cima, ilustram tal conceito.

Nas celebrações o povo Deus está sob a presidência do ministro ordenado, que celebra “in Persona Christi”. Ele é o Cristo cabeça que tem na assembléia o seu corpo eclesial. Este conceito é materializado na Sedia ou Cadeira da Presidência, aqui desenhada com simplicidade formal, porém, com a escala necessária para que se alcance os conceitos citados.

O batistério foi desenhado em forma octogonal, fazendo referência ao oitavo dia, dia da ressurreição; é a nova criação do mundo em Cristo, o novo Adão; todos nascemos como Adão e é no batismo que somos resgatados. Este octógono está inscrito numa Vésica Piscis, um antigo símbolo presente em várias religiões que simboliza a criação, a origem.

 cultura e a tradição também foram respeitadas nesta obra, as belas obras de arte que fizeram parte por tanto tempo deste espaço, foram restauradas e possuem seu lugar junto ao presbitério.

Os patamares do presbitério focam na hierarquia dos elementos litúrgicos. O batistério encontra-se junto à assembléia, a capela do santíssimo e os santos, a dois degraus de altura.

No terceiro degrau, que busca o número 3, número do Deus trino – da santíssima trindade – temos altar e ambão. E, finalmente, no patamar mais elevado, a Sedia.

Nas laterais ao fundo encontra-se o ripado de madeira crua [retirada da antiga igreja], estes tem a função compositiva de emoldurar o presbitério, enfatizando os elementos ao centro. Estas estruturas ainda possuem a função de esconder a abertura criada para ajudar na ventilação cruzada.

Todos conceitos aqui citados são enfatizados pela iluminação cuidadosamente projetada, desde a luz amarela ao fundo, trazendo o conforto das cores quentes [cores do divino], as luzes focais que apontam os elementos litúrgicos. Este cuidado também pode ser visto na iluminação indireta da nave, que evita o ofuscamento para os usuários.

Com esta reforma a Igreja Matriz da Santa Cruz torna-se um exemplo a ser seguido, de templo que está em sintonia com os conceitos contemporâneos da Igreja católica e de espaço que conduz ao mistério em harmonia com a comunidade que o idealizou.

■ A O projeto passou por uma reformulação do layout das salas anexas a nave. Foram criadas nas laterais do presbitério: Sacristia, capela do santíssimo e sala de controle de som e luz. Aos fundos: Capela da reconciliação [o antigo confessionário], sala de dízimo, Sacristia e sala de imagens.

■ Foi redimensionado e atualizado o sistema de sonorização.

■ A igreja antes da reforma tinha capacidade para 600 pessoas, foi construído um mezanino ao redor da nave com estrutura metálica, forros acústicos e detalhamentos de steel frame – dry wall e vidro laminado. Com o mezanino o edifício hoje conta 1000 pessoas sentadas.

■ Este projeto é a primeira etapa de execução de um projeto completo já pronto. Reforma do exterior do edifício com a criação da torre. Alas anexas com projetos para: Casa Paroquial, Centro de Evangelização e Salão paroquial.